Terrorismo, radicalização e sistema prisional
vulnerabilidades estruturais e desafios para a inteligência penitenciária
DOI:
https://doi.org/10.58960/rbi.2026.21.284Palavras-chave:
Terrorismo, radicalização, Inteligência penitenciáriaResumo
Este artigo examina a relação entre terrorismo, radicalização e sistema prisional, com foco nas vulnerabilidades estruturais do cárcere brasileiro. Os resultados sintetizam: (i) a persistência de controvérsias conceituais sobre terrorismo e os riscos do uso ampliado do rótulo em disputas político-criminais; (ii) a convergência entre superlotação, ociosidade, déficits de assistência e governança fragilizada como fatores que elevam a suscetibilidade a processos de radicalização e recrutamento em ambientes prisionais; e (iii) a centralidade de abordagens de segurança dinâmica, classificação de risco, monitoramento de redes e prevenção orientada por indicadores. Conclui-se que reduzir vulnerabilidades estruturais e qualificar a inteligência penitenciária são condições estratégicas para mitigação de riscos e para integração entre políticas prisionais e prevenção ao extremismo violento.
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