Inteligência de Estado e ética no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.58960/rbi.2025.20.264Palavras-chave:
Atividade de Inteligência, ÉticaResumo
A atividade de inteligência (AI) aplica técnicas operacionais que não seriam moralmente aceitas entre pessoas físicas ou jurídicas. Considerando o Estado Democrático de Direito, qual arcabouço ético caracterizaria AI? Em pesquisa bibliográfica, analisamos cinco abordagens éticas, comparando-as com normativos da AI. No Brasil, exige-se moralidade administrativa dos profissionais; há controle do Estado sobre atos da AI; conflitos de direitos fundamentais são apreciados juridicamente caso a caso. Constata-se sobreposição de papeis: profissionais atuam como depositários de ações intrusivas de Estado e como indivíduos. O arcabouço ético que melhor descreve o contexto brasileiro é a teoria da atividade de inteligência justa, com causa justa, protocolos, autorização por autoridade competente, reciprocidade, intenção íntegra, proporcionalidade, discernimento, detalhamento das reais necessidades e sigilo em ações.
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